Portal Correio do Norte

Causo – O CAVALEIRO E O MOTORISTA

Sousa Filho

(Causo)

É fato (penso) que uma caminhonete 4X4 tem muito mais força do que um cavalo, haja vista que ela tem vários cavalos. No entanto, o que vi foi um embate entre o motorista da dita cuja, com um homem que andava a cavalo.

Estava eu em plenas areias quase movediças do Maranhão, quando me defrontei com a mencionada cena, a qual me referi acima.

Pois bem, acontece que uma caminhonete “traçada” é um carro apropriado para andar no areial, isso eu não discuto, pois não está em voga esse fato. O problema foi o “burrinho de direção” da caminhonete que não funcionava. E onde entra o cavaleiro nessa história?

Eu, mero apreciador desses momentos, observei atentamente que o homem do cavalo estava fazendo galhofa com o pseudo motorista que havia atolado na areia, o citado veículo de vários cavalos de força.

O “burrinho de direção”, que se autoproclamou motorista fazia e acontecia tentando desatolar o carro. Foi aí que começou o bate-boca:

– Cadê o motorista desse carro?

– Será que terei que botar o meu cavalo para puxar essa caminhonete?

– O defeito está entre o banco e a direção.

O outro homem respondeu:

– Você só sabe dirigir esse seu cavalo.

– Pare de falar besteiras.

A discussão continuou por algum tempo, até que ela findasse.

Todavia, “deixando os entretanto e indo aos finalmentes” como dizia Odorico Paraguaçu, na série de TV “O bem-amado”, o homem do cavalo, que também era um excelente motorista, conseguiu a “duras penas” convencer o pseudo motorista de que ele poderia retirar o carro do atoleiro.

O outro homem aceitou.

Nisso, o cavaleiro conseguiu levantar o carro na “bimbarra” que é uma espécie de alavanca. Ele calçou os pneus da caminhonete com pedaços de madeira e baixou o carro em cima.

O homem do cavalo estava certo. Entrou na caminhonete, colocou o carro engatado, acelerou forte e o carro saiu do atoleiro. O problema não era o carro, mas o “burrinho de direção”.

  • Ficção literária

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