O ator e diretor de teatro Joaquim Lopes Saraiva disse que vai promover uma mobilização da classe artística, historiadores, escritores e da intelectualidade em geral para convencer os proprietários do Armazém Paraíba, na avenida Presidente Vargas, centro de Parnaíba, a reconstruírem a fachada original do prédio onde durante muitos anos funcionou uma empresa de navegação de origem inglesa, a Booth Line.
Segundo Saraiva a mudança seria apenas na fachada sem prejuízo da parte interna onde está a loja de departamentos do Grupo Claudino. Seria uma forma de devolver ao centro histórico de Parnaíba a fachada de um dos prédios mais emblemáticos da época de grande movimentação comercial e industrial da segunda maior cidade do Piauí.
“Existem cidades pelo mundo todo e no Brasil onde isso foi executado. Ficaria lindo no caso do Paraíba”, disse o ator, diretor e proprietário do teatro que leva seu nome na avenida Nossa Senhora de Fátima. Tentativas nesse sentido foram feitas, mas sem uma resposta da direção do grupo Claudino em Teresina e Parnaíba. Agora, disse o diretor, a tentativa vai ser com o político João Vicente, um dos herdeiros da rede de lojas espalhadas por todo o Piauí.
Saraiva acrescentou que vai fazer um movimento de aglutinação de forças de toda a classe artística e intelectual de Parnaíba para que seja devolvida a fachada original do prédio. “Um bom exemplo é o de Belo Horizonte, Minas Gerais, onde vários prédios com inestimável valor histórico e arquitetônico foram restaurados com suas fachadas originais sem prejuízo de suas atuais finalidades”.

Para o jornalista Pádua Marques, membro do Instituto Histórico, Geográfico e Genealógico de Parnaíba e da Academia Parnaibana de Letras, é uma forma de devolver à curiosidade pública e a valorização do centro histórico, um edifício com uma história muito rica e que abrigou uma empresa de navegação das mais importantes na vida social, política e econômica do Piauí nos séculos XIX e XX.

O Armazém Paraíba, empresa do Grupo Claudino, acrescentou Saraiva, ajudou na finalização das obras e equipamentos por meio da Secretaria Estadual de Cultura do Piauí com recursos do SIEC dando condições para que este teatro entrasse em funcionamento, abrindo campo de trabalho para atores, diretores, cenógrafos, músicos e dando condições para que jovens de todas as idades ingressem no mundo da arte.