• CRÔNICA

O Sábado de Aleluia amanheceu com barras rubras no céu, como se o próprio sol estivesse se levantando das cinzas. As carnaúbas, sentinelas do sertão, desfraldam suas folhas ao vento nordeste, enquanto os pássaros, sapos e grilos tocam a sinfonia matinal.

Na lagoa, o jacaré, com seus olhos de fogo, é o guardião. E o rio Pirangi, como um velho amigo, desperta com o ronco das pedras, correndo veloz para o Parnaíba. Enquanto a molecada sonha com as delícias da Páscoa, os velhos se sentam à porta, assistindo ao espetáculo matinal, com o galo a cantar as siricoras, como se fosse um coro de anjos. E o sol, majestoso, impera e reina sobre este Sábado de Aleluia, como se fosse o próprio Senhor da Vida.

Na subida do sol, os periquitos enverdecem as nuvens e o urubu de cabeça vermelha busca a carne fresca para o almoço. Tetéus fazem algazarras, enquanto ovelhas pastam entre cavalos e vacas.

As árvores e os campos verdejados têm gotículas de água da chuva recente. Os anuns e pipiriguás também querem encantar. Os vizinhos vão chegando em motos, verdadeiros cavalos de ferro e aço. Mais tarde, o churrasco arde na brasa, e no contraste da cerveja gelada, a pinga serrana queima goela abaixo. Seu Chico, no cabo da enxada, revive o seu Brejinho de Fátima, capinando os pés de milho e feijão no roçado. Pedro e Dona Mazé, sempre no apoio, organizando as coisas.

À beira do rio, Allan e seu filho, com varas de pesca, e Edilson e a filha do Lom, lançam suas tarrafas, enquanto os socós e os martins-pescadores engolem piabas prateadas e os negros bodós que se arriscam a subir a correnteza.

  • Autor : José Luiz de Carvalho
  • Fazenda São Benedito 04.04.2026
  • Crônica para o vereador  José Luiz Júnior